Aprendendo a ser mãe, de novo.

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A maternidade é mesmo um eterno aprendizado e cada filho traz um ensinamento.

Após o nascimento do Vicente, descobri que não existe mãe experiente já que um filho, na maior parte das vezes, em nada se parece com os outros.

Catarina era uma bebê serena e não demandou grandes preocupações, seja com a amamentação, doenças ou dificuldades em seu desenvolvimento, nos primeiros anos de vida.

Já Vicente me faz sair da zona de conforto desde a gestação, quando o exame de translucência nucal apresentou alteração.

Mesmo descartando as síndromes, o receio de ter um filho com alguma debilidade me fez refletir sobre que tipo de mãe eu seria para ele. E me questionava se estava preparada.

Ao nascer também quebrou os protocolos e meus planos de parto normal, mostrando que nem tudo acontece como planejado.

Precisou tomar fórmula na maternidade e me fez perceber que a mãe, sozinha, não é suficiente para prover seu filho. Logo eu, que amamentei minha primeira filha com tanta facilidade e, por isso, nem mamadeiras havia comprado pra ele.

Aos 5 dias e com um sopro no coraçãozinho, me levou ao corredor de exames cardíacos da Santa Casa para mostrar a dura realidade e sofrimento dos pequenos que lutam por suas vidas.

Ele teve as terríveis cólicas e chorou intensamente, desafiando minha paciência e enaltecendo minha resiliência.

Constantemente demanda minha atenção e não me perde de vista, como grande parte dos bebês, mas tem um jeitinho encantador de me cativar.

Com apenas 90 dias, apresentou febre e me deixou louca, já que havíamos feito um passeio de trem e charrete durante o feriado.

Confesso que fui afobada e não esperei o tempo dele pra sair de casa.Tive pressa em mostrar e viver a loucura desse mundo.Na ânsia de vivê-lo e vê-lo, esqueci de senti-lo. Não me perdoo por isso e o diagnóstico de bronquiolite me gerou grande culpa.

Desde o nascimento, tentei impor ao Vicente a rotina “acertada”que vivi com Catarina e ele tem me mostrado que, nada que funcionou para ela se aplica em seu caso, inclusive em relação ao meu retorno ao trabalho. 

Ele me demanda quase que exclusivamente, me pedindo o que há de mais simples e eficaz: meu colo! Deseja estar em contato, como todo mamífero… como todos nós.

Esse é apenas o início de novas descobertas e tento me despir dos “pré”conceitos formados.

 

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É na calada da noite que nosso assunto rende…

que falamos baixinho para mais ninguém acordar, 

Que nos entendemos só com o olhar.

Na madrugada tenho seus chorinhos para me despertar e seus sorrisos para me animar…

E às 5h da manhã dançamos uma valsa enquanto o café está a preparar, me dizendo que o dia está apenas a começar! 

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É mãe, não é à toa que não a

substituem…

O ventre, seios e todo o corpo são apenas parte de sua doação ao filho querido,

São doados ainda todo suor e lágrima…

todo seu tempo, atenção e principalmente, o coração.

O seu eu não existe, assim como sono, fome ou qualquer outra necessidade humana.

Não há atleta ou outro incrível que consiga bater seu recorde no cansaço.

E não venha com igualdade entre gêneros, porque só as mulheres, fortemente frágeis, conseguem exercer essa função.

Não há coincidência…  resiliência é substantivo feminino, que dentre seus significados, nomeia a capacidade de se resistir às pressões de situações adversas.

A gente se perde da gente…

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O puerpério é uma fase difícil para quase todas as mamães, ainda que não seja de primeira viagem.

São tantas adaptações e preocupações que a gente se perde da gente.

Na minha primeira gestação fiquei chorosa e apreensiva a cada novidade da minha bebê. Lembro que a insegurança também era grande, mas tive apoio da minha santa mãe, meu esposo e familiares.

Aos poucos, Catarina foi acertando a rotina e eu conseguia comer saudável, tomar bastante líquido e dormir melhor, quando passei a oferecer meu leite na mamadeira, durante a noite. 

Meu retorno ao trabalho foi mais difícil e fiquei depressiva por um ano.

Meu segundo pós parto tem sido mais solitário. Ainda tenho muita ajuda, mas as noites em claro e a falta de liberdade têm me deixado down.

Às vezes que tentei me olhar, no intervalo entre as mamadas, minha

outra filha e o trabalho home office, já não me via.

Não tenho quase nenhum tempo para banho, comer e.. dormir. 

O esgotamento físico me faz sentir dores no corpo e cabeça, e como o que vejo pela frente.

Não hidrato o suficiente e, desta vez, meu bebê tem cólica, o que também me faz chorar.

Não consigo descansar nem um minuto do dia e a noite, nem sempre consigo voltar a dormir depois de amamentar, arrotar e trocar.

Minha filha mais velha também tem sentido minha falta e eu nem sempre estou disponível para brincar e cuidar.

Sei que a fase passa rápido e talvez lembre com muita saudades… mas no momento:

Falta paciência e sobra culpa,

Faltam braços e abraços e sobram lágrimas,

Falta energia, mas sobra AMOR!

Em dobro

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Duas alegrias e desafios maiores…

Duas bênçãos e provações…

Dois amores e uma só mãe para abraçar, cuidar, prover e amar.

No coração, eles cabem com folga, mas os braços não conseguem carregá-los simultaneamente…

O tempo não se multiplica.. é a mãe que se desdobra para atender aos anseios dos dois..

Não tem mais dia e noite, as horas passam num piscar e quando toda essa loucura passar, ficará a saudade de quando não havia tempo a se pensar.

Plano de Parto

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Desde a gravidez da Catarina entendi que a maternidade chega para a mãe assim que ela recebe o resultado positivo.

Ainda que o amor incondicional não seja instantâneo, as alterações hormonais são bem claras e a mulher percebe que não é mais a mesma, logo no comecinho.

No meu caso, a gravidez muda radicalmente minha rotina já que os enjoos, o apagamento precoce do bico do colo do útero, que me obrigam a ficar um tempo em repouso, alteram alimentação e  suspendem exercícios físicos.

Quando aproxima o parto, a ansiedade toma conta e, seja qual for o procedimento necessário, a cabeça não para de pensar.

Na primeira vez, minha filha estava pélvica e precisei agendar a cesárea. Dois dias antes, entrei em trabalho de parto, sentindo contrações, e fomos correndo para a maternidade.

Foi rápido e bem tranquilo, tirando o fato de eu não ficar com ela na sala de recuperação. 

A emoção de ouvir aquele chorinho e pega- lá no colo pela primeira vez é indescritível! Senti sim o maior amor do mundo! 

Agora na segunda, como meu filho estava posicionado, aguardava seu sinal para o parto e desejava que fosse normal.

Não romantizava o momento, pois sei da avalanche de hormônios, sentimentos, dor e riscos envolvidos.

Sem traçar qualquer comparação com a cesárea, pois são bem distintos, para mim o parto normal deve ser como o próprio nome diz.

Isso significa que não deve haver pressão, mas sim apoio ao desejo daquela que optou e pode fazê-lo.

A medicina evoluiu para apoiar as mulheres nesse ato de amor e não dispensaria qualquer conforto que fosse concedido nesse momento.

Então, não planejei o que é desconhecido pra mim, mas queria meu desejo respeitado em todo momento. 

Fiz o pré natal com mesmo médico que fez meu primeiro parto, mas ao final, com 38 semanas, procurei outro profissional que respeitasse meu desejo. 

Queria dar ao meu filho a chance de escolher o dia que viria ao mundo e eu estaria pronta para recebê-lo da melhor forma.

Mas na última ultrassonografia a situação mudou um pouco, o líquido limítrofe e as duas circulares no pescoço me deixaram muito insegura e, diante da impossibilidade de induzir meu parto, por ter feito cesárea anterior, meu médico optou pela cirurgia, que foi agendada para o dia seguinte.

Confesso que fiquei muito apreensiva e frustrada. Mesmo sabendo dos riscos, não tinha certeza se estava fazendo a escolha certa.

No dia 18/08/18 Vicente veio ao mundo, com muita tranquilidade. Ver sua carinha me deixou extremamente agradecida e emocionada, como se nada mais importasse, porque seu chorinho era a única coisa que eu queria ouvir.

Depois de 1 semana e vendo-o saudável, não arrependo do parto. Admiro as mulheres que ganharam seus filhos de parto normal, mas deixar de vivenciar essa experiência não retira a minha força como mãe! 

 

 

 

Esperar de novo

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Na segunda gravidez eu não tirei foto da barriga a cada semana, não busquei na internet explicações para cada sintoma e não fiz enxoval até um ano de idade.

Preocupei com os cuidados, exames, vacinas e vitaminas necessários e, apesar dos enjoos até o quarto mês, levei minha vida normalmente, às vezes até esquecendo da condição de gestante.

Assim como a primeira, a segunda gravidez foi muito desejada, e apesar de passar aflições, incluindo a alteração no exame de translucência, que depois de melhor investigado não constatou nada grave,e o colo do útero apagado com 30 semanas, que me deixou em repouso absoluto, eu curti mais!

Desde o momento da descoberta, quando a primeira pessoa a saber foi minha filha – que deu a notícia ao pai e a nossa família -, até o chá revelação, viagens a Bonito e a Porto de Galinhas, foram incontáveis momentos de alegria que me fizeram sentir a plenitude da maternidade ainda mais forte!

Ser mãe duas vezes aumentou meu coração em uma proporção que não imaginava que era possível!

Chorei, sofri e sorri, mas com menos neuroses desnecessárias!