2CAB75C6-07D2-4B50-A768-0A60E19168E6.jpeg

É na calada da noite que nosso assunto rende…

que falamos baixinho para mais ninguém acordar, 

Que nos entendemos só com o olhar.

Na madrugada tenho seus chorinhos para me despertar e seus sorrisos para me animar…

E às 5h da manhã dançamos uma valsa enquanto o café está a preparar, me dizendo que o dia está apenas a começar! 

4C8FB684-DB30-420E-A4D6-07E918BBA073

É mãe, não é à toa que não a

substituem…

O ventre, seios e todo o corpo são apenas parte de sua doação ao filho querido,

São doados ainda todo suor e lágrima…

todo seu tempo, atenção e principalmente, o coração.

O seu eu não existe, assim como sono, fome ou qualquer outra necessidade humana.

Não há atleta ou outro incrível que consiga bater seu recorde no cansaço.

E não venha com igualdade entre gêneros, porque só as mulheres, fortemente frágeis, conseguem exercer essa função.

Não há coincidência…  resiliência é substantivo feminino, que dentre seus significados, nomeia a capacidade de se resistir às pressões de situações adversas.

A gente se perde da gente…

72A17FFF-F5C2-4BC6-9547-D75645BAC3FB

O puerpério é uma fase difícil para quase todas as mamães, ainda que não seja de primeira viagem.

São tantas adaptações e preocupações que a gente se perde da gente.

Na minha primeira gestação fiquei chorosa e apreensiva a cada novidade da minha bebê. Lembro que a insegurança também era grande, mas tive apoio da minha santa mãe, meu esposo e familiares.

Aos poucos, Catarina foi acertando a rotina e eu conseguia comer saudável, tomar bastante líquido e dormir melhor, quando passei a oferecer meu leite na mamadeira, durante a noite. 

Meu retorno ao trabalho foi mais difícil e fiquei depressiva por um ano.

Meu segundo pós parto tem sido mais solitário. Ainda tenho muita ajuda, mas as noites em claro e a falta de liberdade têm me deixado down.

Às vezes que tentei me olhar, no intervalo entre as mamadas, minha

outra filha e o trabalho home office, já não me via.

Não tenho quase nenhum tempo para banho, comer e.. dormir. 

O esgotamento físico me faz sentir dores no corpo e cabeça, e como o que vejo pela frente.

Não hidrato o suficiente e, desta vez, meu bebê tem cólica, o que também me faz chorar.

Não consigo descansar nem um minuto do dia e a noite, nem sempre consigo voltar a dormir depois de amamentar, arrotar e trocar.

Minha filha mais velha também tem sentido minha falta e eu nem sempre estou disponível para brincar e cuidar.

Sei que a fase passa rápido e talvez lembre com muita saudades… mas no momento:

Falta paciência e sobra culpa,

Faltam braços e abraços e sobram lágrimas,

Falta energia, mas sobra AMOR!

Em dobro

7484D2E0-1EE6-4B0F-8EA7-9D8FC1A5C85A.jpeg

Duas alegrias e desafios maiores…

Duas bênçãos e provações…

Dois amores e uma só mãe para abraçar, cuidar, prover e amar.

No coração, eles cabem com folga, mas os braços não conseguem carregá-los simultaneamente…

O tempo não se multiplica.. é a mãe que se desdobra para atender aos anseios dos dois..

Não tem mais dia e noite, as horas passam num piscar e quando toda essa loucura passar, ficará a saudade de quando não havia tempo a se pensar.

Plano de Parto

9ABED12D-2163-484F-BC6E-5E3224D2120F

Desde a gravidez da Catarina entendi que a maternidade chega para a mãe assim que ela recebe o resultado positivo.

Ainda que o amor incondicional não seja instantâneo, as alterações hormonais são bem claras e a mulher percebe que não é mais a mesma, logo no comecinho.

No meu caso, a gravidez muda radicalmente minha rotina já que os enjoos, o apagamento precoce do bico do colo do útero, que me obrigam a ficar um tempo em repouso, alteram alimentação e  suspendem exercícios físicos.

Quando aproxima o parto, a ansiedade toma conta e, seja qual for o procedimento necessário, a cabeça não para de pensar.

Na primeira vez, minha filha estava pélvica e precisei agendar a cesárea. Dois dias antes, entrei em trabalho de parto, sentindo contrações, e fomos correndo para a maternidade.

Foi rápido e bem tranquilo, tirando o fato de eu não ficar com ela na sala de recuperação. 

A emoção de ouvir aquele chorinho e pega- lá no colo pela primeira vez é indescritível! Senti sim o maior amor do mundo! 

Agora na segunda, como meu filho estava posicionado, aguardava seu sinal para o parto e desejava que fosse normal.

Não romantizava o momento, pois sei da avalanche de hormônios, sentimentos, dor e riscos envolvidos.

Sem traçar qualquer comparação com a cesárea, pois são bem distintos, para mim o parto normal deve ser como o próprio nome diz.

Isso significa que não deve haver pressão, mas sim apoio ao desejo daquela que optou e pode fazê-lo.

A medicina evoluiu para apoiar as mulheres nesse ato de amor e não dispensaria qualquer conforto que fosse concedido nesse momento.

Então, não planejei o que é desconhecido pra mim, mas queria meu desejo respeitado em todo momento. 

Fiz o pré natal com mesmo médico que fez meu primeiro parto, mas ao final, com 38 semanas, procurei outro profissional que respeitasse meu desejo. 

Queria dar ao meu filho a chance de escolher o dia que viria ao mundo e eu estaria pronta para recebê-lo da melhor forma.

Mas na última ultrassonografia a situação mudou um pouco, o líquido limítrofe e as duas circulares no pescoço me deixaram muito insegura e, diante da impossibilidade de induzir meu parto, por ter feito cesárea anterior, meu médico optou pela cirurgia, que foi agendada para o dia seguinte.

Confesso que fiquei muito apreensiva e frustrada. Mesmo sabendo dos riscos, não tinha certeza se estava fazendo a escolha certa.

No dia 18/08/18 Vicente veio ao mundo, com muita tranquilidade. Ver sua carinha me deixou extremamente agradecida e emocionada, como se nada mais importasse, porque seu chorinho era a única coisa que eu queria ouvir.

Depois de 1 semana e vendo-o saudável, não arrependo do parto. Admiro as mulheres que ganharam seus filhos de parto normal, mas deixar de vivenciar essa experiência não retira a minha força como mãe! 

 

 

 

Esperar de novo

IMG_7882

Na segunda gravidez eu não tirei foto da barriga a cada semana, não busquei na internet explicações para cada sintoma e não fiz enxoval até um ano de idade.

Preocupei com os cuidados, exames, vacinas e vitaminas necessários e, apesar dos enjoos até o quarto mês, levei minha vida normalmente, às vezes até esquecendo da condição de gestante.

Assim como a primeira, a segunda gravidez foi muito desejada, e apesar de passar aflições, incluindo a alteração no exame de translucência, que depois de melhor investigado não constatou nada grave,e o colo do útero apagado com 30 semanas, que me deixou em repouso absoluto, eu curti mais!

Desde o momento da descoberta, quando a primeira pessoa a saber foi minha filha – que deu a notícia ao pai e a nossa família -, até o chá revelação, viagens a Bonito e a Porto de Galinhas, foram incontáveis momentos de alegria que me fizeram sentir a plenitude da maternidade ainda mais forte!

Ser mãe duas vezes aumentou meu coração em uma proporção que não imaginava que era possível!

Chorei, sofri e sorri, mas com menos neuroses desnecessárias!

Repouso

CD717BBD-8407-452B-B28B-5C9D896B96C1

Pela segunda vez nessa condição, pois meu colo do útero apagou precocemente, eu estou passando o final da gestação em repouso.

Estou consciente que todo esforço é para um bem maior, a saúde do meu filho Vicente.

Mas confesso que é difícil e estou bem ansiosa e desanimada.

Me aflige muito não poder estar no comando direto do meu negócio, contando com os outros para realizar tarefas simples, ficar em casa e, principalmente, não cuidar da minha filha como gosto e preciso.

Outro dia no berçário, pediram para Catarina comer todo o almoço que iriam me mostrar e ela respondeu: “A mamãe está lá na Paracatu sentada na cadeira”, se referindo ao nome da rua que moramos.

A sensação de impotência e dependência é difícil pra mim.

Não sei não fazer as coisas do meu jeito e, talvez essa seja a maior provação.

Tenho anjos maravilhosos ao meu lado, principalmente minha mãe que não mede esforços para fazer tudo como eu gostaria e, sem saber, é ela quem mais motiva o meu esforço em prol do meu filho. Como mãe, entendo, agradeço e valorizo sua dedicação.

Tento fazer desse momento uma reflexão e preparo para receber meu filho no seu tempo. 

Tenho fé que Deus reserva o melhor mas peço, sempre, paciência para conter a ansiedade em meu coração. 

Não é fácil, mas é preciso e tudo valerá a pena.